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Yolanda Soares em faixa a faixa sobre "Royal Fado"

  • 12 Outubro 2016
  • |    In: http://a-trompa.net/faixa-a-faixa/yolanda-soares-faixa-faixa-royal-fado
É o novo disco de Yolanda Soares, chama-se "Royal Fado" e é inspirado em "Óperas de Amália". Aqui, num faixa a faixa pela própria...

O nosso Povo
Letra e Música : Carlos Paião

Um tema que Carlos Paião fez para Amália e que nunca foi editado. Este tema é o single do novo CD de Yolanda Soares "Royal Fado". É o tema que expressa melhor, em termos de conceito e mensagem deste CD. É a elevação da alma de um povo que tem intrínseca a capacidade de se reinventar. O nosso Povo transforma tristezas em Fado e dificuldades em esperança. É um Povo Real. É Royal Fado.

Madalena (do musical "O Nazareno" de Frei Hermano da Câmara)
Letra de Gomes Leal

Amália é Madalena neste musical de Frei Hermano da Câmara, e sendo Amália uma Fadista é curioso ter sido ela a voz escolhida. Para mim existe mesmo uma grande semelhança nas características de uma fadista e na personagem histórica de Madalena. A mulher sedutora, um pouco à margem da sociedade e considerada "libertina" está relacionada com ambas. Assim como, em ambas existe a mulher modelo. Ou seja, Madalena foi como que (além de Maria) a mulher "modelo" na vida de Jesus. E aquela que foi considerada a primeira fadista, a Severa (seja mito ou não) é a mulher modelo do Fado. Musicalmente quisemos conferir ao tema um ambiente oriental com inspiração na música árabe. Foi utilizada a Tabla para lhe dar essa característica árabe.

Cravos de papel (inspirado na Ópera Carmen)
Letra: António de Sousa
Música: Alain Oulman

Um tema popular que coloca novamente a mulher portuguesa sedutora em primeiro plano. A letra deste tema remeteu-me logo para a a personagem Carmen da ópera com o mesmo nome. Por essa razão, e porque também sou cantora lírica quis fazer uma ligação entre ambas através da música, e neste tema ouvem-se pequenas frases melódicas do tema Habanera da Ópera Carmen misturados com o nosso tradicional português. É uma perfeita ligação entre o erudito e o tradicional.

Amêndoa Amarga
Letra: Ary dos Santos
Música: Alain Oulman

Quisemos, musicalmente, representar a grande força própria dos poemas de Ary dos Santos. Este tema foi "arranjado" em torno da minha inspiração interpretativa vocal e expressiva o cantá-lo da forma como o sentia sem querer de todo interpretá-lo como Fado. Num crescendo constante e com aspectos que fazem lembrar música cigana. Onde o violino tem um papel fundamental no fraseado dando-lhe essa característica cigana.

Lianor
Letra: Camões
Música: Alain Oulman

Sendo este tema de Camões é perfeito para representar também este CD, já que a expressão "lá vai ela para as Óperas" ou "Óperas de Amália" foi exactamente devido ao facto de Amália cantar poetas eruditos como Camões. Amália gravou Lianor com Orquestra, e nós quisemos também dar-lhe esse carácter orquestral, mesmo com poucos instrumentos. A história de Lianor é também ela interessante já que volta a representar a mulher sedutora, feminina no entanto com a inocência própria da idade. E nunca é uma mulher da alta sociedade. É curioso que são quase sempre as mulheres de extracto social mais humilde que sempre inspiram canções e poetas. E há sempre uma irreverência em todas elas, o que encaixa perfeitamente na época "irreverente" de Amália. Musicalmente sente-se influências de flamenco neste tema onde as palmas estão em contra tempo e o cajon se une num ritmo semelhante ao flamenco.

Naufrágio (Dueto com Rhydian Roberts)
Letra: Cecília Meireles
Música: Alain Oulman

Transformei este tema num dueto crossover. Sendo que o mar é um "símbolo" tão forte para nós, fazia sentido para mim atravessá-lo e trazer para este tema uma voz diferente e uma abordagem além fronteiras. Por isso convidei o cantor do País de Gales, Rhydian Roberts, considerado, tal como eu, um crossover singer (canta ligeiro e lírico) para fazer um dueto de fado comigo. Mas um fado que, também ele, na sua concepção musical fosse além fronteiras. Por isso os arranjos deste tema estão muito para além do fado. Fazem lembrar paisagens cinematográficas onde a harpa quase que imita o mar no fraseado.

Rondel do Alentejo (convidados especiais, o grupo de cante Alentejano "A Moda Mãe")
Letra: Almada negreiros
Música: Fernando Guerra

Almada Negreiros foi uma das mais curiosas personalidades da cultura portuguesa do séc XX e um dos mais seguros e decisivos construtores do modernismo em Portugal. Poeta, pintor, visionário, polémico, provocador romancista. Amália, também ela uma visionária também cantou Almada Negreiros neste Rondel do Alentejo. Um poema em que uma dança (O "Rondel do Alentejo") e tudo o que a envolve, é descrita visualmente através de palavras que parecem ao acaso mas fazem sentido na "pintura" descrita por Almada Negreiros. É um poema rítmico e musical.
Neste tema convidei o grupo de cante Alentejano "A Moda Mãe" desafiando-os para um estilo diferente onde as suas vozes conseguem também elas ritmicamente adaptar-se à dança descrita por Almada. Um modernismo que certamente agradaria ao poeta visionário (risos).

Cuidei que tinha morrido
Letra: Pedro Homem de Mello
Música: Alain Oulman

Talvez dos temas mais românticos e melancólicos do CD. Aqui o contra-baixo remete-nos para os clássicos do jazz. A guitarra portuguesa e as cordas conferem-lhe o carácter melancólico.
O carácter romântico está sempre presente com a harpa e há como que um aperto que se sente no coração que nos traz de volta à saudade do Fado mais genuíno.

Dafidd y Garreg Wen (David da Rocha Branca)
Tema original do País de Gales de Ceiriog Hughes

Escolhi cantar este tema num impulso natural de intérprete crossover que sou. Pelo facto de estar a colaborar com tantos músicos do País de Gales, quis de certa forma aproximar-me deles (já que eles vieram também até ao nosso Fado) e decidi cantar algo do seu país que lhes fizesse lembrar o nosso Fado, e que também pudesse encaixar neste contexto de inspiração em "Óperas de Amália". Perante o meu desafio propuseram-me o tema que para eles é o mais emblemático do seu País. Não só porque fala da harpa como por ter uma mística muito enraizada. Normalmente é um tema cantado por cantores líricos e exactamente acompanhado por harpa mas quisemos também, nesta versão, juntar-lhe a guitarra portuguesa, e assim unir as duas tradições.

Com que voz
Letra: atribuída a Camões
Música: Alain Oulman

Sobejamente conhecido, este é também ele um tema com uma força e peso que me faz logo viajar até à tragédia na Ópera. Um dos temas que mais levou à frase "lá vai ela para as óperas". E sendo este tema atribuído a Luis Vaz de Camões sinto-o como épico. E foi assim que transmiti ao arranjador Chris Marshall. Eu queria uma abertura/introdução épica e trágica (musicalmente falando) e que todo o tema fosse envolto de uma carga pesada e romântica também. Neste tema quase se ouve a abertura de uma Ópera, depois o primeiro acto, o segundo e o final.

Soledad
Letra: Cecília Meireles
Música: Alain Oulman

O único tema do CD que tem apenas voz e harpa. Quis terminar com a "nudez" com que a solidão nos veste. É uma nudez que não é necessariamente despida de beleza. A solidão também é bela. E sendo este um CD romântico teria de ser a harpa a terminá-lo com a voz. Foi composta ao Piano por Alain Oulman (outro instrumento romântico) e neste contexto é a harpa que abraça o nome "Soledad". Apesar de Soledad, neste tema, ser um nome, é também solidão na sua tradução, e nada como cantá-la com harpa.

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